quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A verdade com algum encantamento...

Sapato baixo, calça larga e cabelo preso.
Esquentou e seus ombros tensos agradecem.
Que cara bonita é essa? Já logo no elevador. Ah, devo ter dormido bem.
Bom dia, bom dia. Olha, você está muito bonita hoje. Um fala, outro concorda. E pelos corredores, sorrisos dão continuidade aos elogios.
O que é? Que segredo ela guarda? Que novidade é essa?
Na cozinha perguntam: novo amor? No estacionamento perguntam: voltou com alguém? No restaurante, na hora do almoço: é alguém novo?
Cruza com um namorado antigo “nossa, você tá muito... é o quê? Sexo? A noite toda? Conta, vai, eu agüento ouvir”.
Contar o quê? No espelho, enquanto escova os dentes, fecha os olhos e sabe pra si o segredo: ninguém.
Não gostar de ninguém. Nada. Nem um restinho de nada. Nem de tudo que acabou e nem de nada que possa começar. Nada.
Pouco importa qualquer outra vida do mundo. Não é nem pouco, é nada mesmo.
Um dia inteiro para achar gostosas coisas bobas como um pacote de pipoca doce, um tênis pink ou a hora do banho quente com músicas recém baixadas e o tapetinho vermelho.
Um dia inteiro sem escravidão. O celular, o e-mail, o telefone de casa, o ar, o interfone, a rua. São o que são e não carrascos que nada dizem e nada trazem.
Um coração calmo, se ocupando de mandar sangue para as horas felizes de trabalho, estudo, yoga, massagem, dormir, bobeiras, pilates, comer, rir, cabelo, filmes, comprar, trabalhar mais, ler, amigos.
É isso. Uma agenda enorme que a ocupa de ser ela e não sobra uma linha de dia pra lamentar existências alheias.
Linda, ela segue. Linda e feliz como nunca.
O segredo do espelho, escovando os dentes, sozinha, aperta os olhos, segura a alma um pouco sem respirar. Segura a pasta pensando que é um pouco de alma consistente na boca. Não cospe, suporte.
Ela pode finalmente suportar seu peso e não dividir isso nem com o ventinho que entra pela janela. Nem com o ralo que a espera boquiaberto.
A sensação é a da manhã seguinte que o papai Noel deixava os presentes: não é mentira, é só um jeito de contar a verdade com algum encantamento.

[Tati Bernardi]

Bom dia...


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Osho - perfeito, como sempre...

"Num momento estava lá, no momento seguinte desapareceu.
Em determinado momento, estamos aqui, e em determinado momento já passamos. E por este simples momento, quanta confusão criamos - quanta violência, ambição, conflito, raiva.
Apenas por um momento tão breve! Estamos tão somente aguardando o trem na sala de espera de uma estação, e criando tanta confusão! Brigando, manipulando, tentando dominar, julgando, competindo - quanta política! Então, o trem chega, e você se foi para sempre." - Osho

Cântico das Criaturas - São Francisco de Assis

Louvado sejas, meu Senhor
Com todas as tuas criaturas.
Especialmente o senhor irmão Sol
Que clareia o dia
E com sua luz nos ilumina
E ele é belo e radiante,
Com grande  esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Lua e as Estrelas
Que no céu formastes claras
E preciosas e belas.  

Louvado sejas, meu Senhor
Pelo irmão Vento.
Pelo ar, nublado
Ou sereno, e todo o tempo
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água
Que é muito útil e humilde
E preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite
E ele é belo e jovial
E vigoroso e forte

Louvado sejas, meu Senhor
Por nossa irmã, a mãe Terra
Que nos sustenta e governa
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
É cada coisa que eu vejo, cada coisa que eu ouço que chega me dá náuseas...
É tanta melação, tantos olhinhos virados, tanto nhem, nhem nhem, guti, guti... Ah me poupe...que ridículo...blargh... Ah se eles pudessem se ver nessas horas...



Tenho verdadeiro desprezo por quem se acha melhor, ou mais interessante, que os outros. Por quem pensa que o dinheiro compra tudo e um título acadêmico é passaporte pra uma outra dimensão. Por quem se acha um grande piadista. Por quem não pensa antes de fazer merda. Por quem acha que sabe mais. Entenda, meu amigo, dessa vida a gente não sabe nada, a gente não leva nada. Estamos aqui para errar todos os dias. Para tentar fazer o certo e, ainda assim, fazer errado. Ninguém é Deus, ninguém é diabo. Todo mundo tem um pouco de tudo.

A pessoa se considera tão melhor do que os outros, acha que vence qualquer um, sem ao menos ter vencido seus sentimentos. A pessoa é tão egoísta, e ao mesmo tempo se dá de corpo e alma. Tão comum em relação a qualquer um. Tão normal, que nem acha um ponto final. Tenta ser tudo de bom, só pra alguém tentar achar alguma graça... Mas também, se o palhaço é medíocre e a platéia é limitada acaba mesmo acreditando que é o melhor...

Chega a um ponto que eu passo a me questionar, o que realmente vale a pena?

Pessoas assim me cansam... Acho que estou começando a ter alergia de tipos assim...